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Terra Blog

12.09.07

SOBRE MULHERES IGUAIS

Mulheres são todas iguais. Não foram poucas as vezes que ouvi esse tipo de comentário e, nem muito menos, poucas as que o fiz. Sempre, claro, numa alusão ao que se considera - ou consideramos - traços de personalidade do sexo oposto ao lidar com determinadas situações, na maioria das vezes, ligadas ao relacionamento afetivo ou aos impulsos consumistas.

Mas o mesmo comentário que ouvi de uma amiga ontem deixou-me a pensar mais profundamente na questão. Assistíamos a um desfile de moda e, de repente, ela soltou essa: “As mulheres são todas iguais”. Eu olhei assustado e, antes que eu questionasse o dito, ela apontou para a fila de modelos que entrava na passarela: “ Olha só para você ver. Todas iguaizinhas. Não tem mais aquela coisa de uma ter um quê a mais que a outra”.

E eu comecei a olhar mais atentamente e medir aquelas magricelas que se revezavam no tablado como que a se apresentar somente para minha avaliação.

E entrei na onda mesmo. Passei a avaliar, olhando uma a uma e, aos poucos, comecei a sentir que estava vendo uma única mulher. E era mesmo isso. As pernas imensamente finas que me fizeram lembrar os versos de uma canção caipira: “parece dois palitos enfiados num sabugo”; os olhos que me remeteram ao que minha amiga Flávia chamou um dia de olhar de paisagem; os corpos que precisariam receber uma calibragem reforçada para alcançar o status de esguios. Enfim, todas desgraçadamente iguais e tremendamente feias. Você pode até me dizer que tudo isso é por conta da atividade profissional, mas eu fico a pensar que droga de profissão é essa que aniquila com o que de melhor uma mulher tem para elevá-la ao topo.

Lembrei de um tempo em que as passarelas eram povoadas de lindas mulheres que entraram para a história. Passei a conversar com minha amiga sobre tempos não muito distantes em que um trio de beldades povoava o imaginário nacional e até mundial. Luiza Brunet, Monique Evans. Senti saudade da Luma de Oliveira que chegou a merecer versos de um poema que fiz e nunca consegui lhe entregar, mas que até hoje goza da minha mais alta admiração e me faz correr para revistas sempre que vejo uma foto sua.

Quando a gente – eu e minha amiga – percebeu que estava aprofundando o assunto e buscando mulheres que o vento levou, ela, sabiamente, saiu-se com essa: “Ah! Deixa essas mulheres pra lá. O que me interessa mesmo é a roupa”. Ou seja, em tempos de indústria a mil por hora, esse negócio de ser bonita virou mesmo um mero detalhe. E continuamos as ver o desfile, este sim, bem bonito.

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