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Terra Blog

04.10.07

SOBRE MEU INIMIGO CARRO

Existe invenção pior do que carro? E não me venha com a lorota de que o trambolho é necessário porque nos possibilita a locomoção facilitando a nossa vida e coisa e tal. Facilita o escambau, porque, de tempos em tempo, a gente entra na rota da dificuldade geral exatamente por conta dessa máquina que faz até neguinho acreditar na máxima de que carro é mais uma família.

Os que comungam desse tipo de besteira certamente consideram a família como peso morto. Não gosto de carro e acabou. Ao contrário de meus irmãos que são aficionados pela engenhoca, especialmente o Edilson que não abre mão de uma quase coleção que ostenta e trata como verdadeiros filhos.

Desde pequeno, aliás, ele demonstrava paixão pelo bicho de quatro rodas. Tinha talvez menos de 10 anos quando conseguiu salvar o jeep de cair numa ribanceira lançando-se para dentro dele e controlando freio e direção. Adolescente, uniu-se a um amigo filho do mecânico da cidade e construiu algo similar à Camicleta da dupla Xazan e Xerife. E só não badalou mais com o veículo porque nosso pai, ciente de que boa coisa não ia dar, assumiu sua porção guarda Belo e interceptou o desfile.

Já eu nunca fui adepto da coisa e tenho lá meus motivos para isso. Quando criança, sei lá porque, jamais pedi um carrinho sequer ao papai Noel que visitava nossa casa religiosamente nos natais. Tenho uma única lembrança de interesse por carro e talvez esteja atrelada a ela a minha rejeição.

A família fazia o passeio anual insuportável pelas ruas estreitas de Aparecida, onde fica a Basílica Nacional, e nossa diversão era olhar as lojas que já àquela época amontoavam-se umas sobre as outras. Em meio a tanta bugiganga em oferta, chamou-me a atenção a réplica em madeira de um modelo Kombi da Volkswagen. De cara me apaixonei por aquilo e passei a pedir insistentemente que meu pai comprasse.

Diante da negativa, fiz uma birra sem precedentes, esperneei, joguei-me no chão e gritava sem parar: “Eu quero essa kombona!!!!” Também sem precedentes foi a surra que levei de minha mãe e, lógico, voltei pra casa sem o mimo desejado.

Hoje eu não tenho qualquer intimidade com o bicho de motor, até porque, a perda de meu pai num acidente colaborou em muito para o distanciamento.

Além do que, a facada de mais de 2 mil reais que acabo de tomar para colocar em dia aquela coisa que me carrega de casa pro trabalho e do trabalho pra casa anda está atravessada na goela e atravancando o meu cartão de crédito.

E viva o passeio de jegue!


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